O uso de citações e alusões de Salmos nos escritos paulinos
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Biografia do Autor
Waldecir Gonzaga, Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro
Doutor em Teologia Bíblica pela Pontifícia Universidade Gregoriana, Itália. Pós-doutorado sobre o Cânon Bíblico, pela FAJE, Belo Horizonte, Brasil. Diretor e Professor de Teologia Bíblica do Departamento de Teologia da PUC-Rio. Criador e líder do Grupo de Pesquisa de Análise Retórica Bíblica Semítica, constante no Diretório do CNPq.
Rogério Goldoni Silveira, Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro - Pontifícia Universidade Católica do Paraná
Doutorando e mestre em Teologia Bíblica pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio), Brasil. Professor de Teologia Bíblica do Departamento de Teologia da PUC-PR. Membro do Grupo de Pesquisa de Análise Retórica Bíblica Semítica, constante no Diretório do CNPq.
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Resumo
O presente artigo tem como objetivo propiciar reflexão acerca do uso de citações e alusões de salmos nos escritos paulinos. Ainda que não seja possível ter certeza sobre a fonte usada por Paulo (LXX ou BH), os autores concordam que Paulo fez no mínimo 31 referências aos salmos, entre citações e alusões, sem contar os ecos. Diante dessa constatação, este artigo apresenta os critérios para a distinção de citações, alusões e ecos de textos do AT no NT, a partir dos estudos de G. K. Beale, na obra Manual do uso do Antigo Testamento no Novo Testamento, e de R. B. Hays, em Echoes of Scripture in the Letter of Paul. Em seguida, são analisadas três citações de salmos e uma alusão: duas citações seguras (Sl 14,1-3 em Rm 3,10b-12; e Sl 112,9 em 2Cor 9,9); uma citação questionada (Sl 142,1 em Gl 2,16); e uma alusão (Sl 97,2 em Rm 1,17). Essa análise ajudará a compreender a razão pela qual Paulo emprega textos do Saltério em seus escritos assim como o contexto literário, além dos critérios que o apóstolo tinha para fazer referência a tais textos. Embora não seja possível determinar, com exatidão, a fonte usada pelo apóstolo, o presente estudo constata que, como é comum para todo o NT, o uso paulino do AT foi muito mais a partir de uma versão grega da LXX que de um texto hebraico. Ademais, percebe-se que Paulo tanto citou o AT literalmente, como o usou livremente, a depender de sua intenção teológica.
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