Sobre a arte de administrar a crise nas organizações movidas por um ideal

Conteúdo do artigo principal

Luis Fernando Ramírez Ramírez
https://orcid.org/0000-0001-7971-0635
Luigino Bruni
Alessandra Smerilli

Resumo

As organizações movidas por ideais compreendem instituições religiosas, empresas sociais, organizações não governamentais e outras obras de encarnação inspiradas em um ideal superior e transcendente. Essas organizações enfrentam o desafio de equilibrar sua vocação fundacional com um modelo de gestão organizacional que lhes permita assegurar sua sustentabilidade financeira e operacional. Essa realidade híbrida representa um desafio de governança para aqueles que dirigem esse tipo de organização, pois uma combinação inadequada de espírito e management (em seu sentido usual) pode comprometer a sobrevivência do projeto. Um excesso de “espírito” coloca em risco a sobrevivência financeira da organização e, por outro lado, um excesso de management instrumental coloca em risco a identidade missionária que motivou seus fundadores a criá-la e levá-la adiante. O presente artigo utiliza o modelo de Voz, saída e lealdade, de A. Hirschman, e a teoria da massa crítica, de T. Schelling e M. Granovetter, próprias dos estudos organizacionais, para analisar essa particularidade frágil, mas poderosa, das organizações movidas por ideais, centrada nas motivações intrínsecas de seus membros. Postula-se que os membros “intrinsecamente motivados” são os mais sensíveis à perda de “qualidade ideal”. Se seu “protesto” (voz) for ignorado, são os primeiros a optar pela “saída” (exit). Essa saída, ainda que seja de poucos indivíduos, pode destruir a “massa crítica”, o que provoca um efeito em cadeia que desmotiva os membros “imitadores” e precipita o mecanismo de deterioração cumulativa que corrompe a cultura cooperativa e a capacidade de cumprir a missão ideal da organização.

Palavras-chave:
organizações movidas por ideais, estudos organizacionais, governo humanista, management espiritual

Detalhes do artigo

Referências

Astley W.G., Van de Ven H. (1983). “Central Perspectives and Debates in Organization Theory”, Administrative Science Quarterly, 28, pp. 245-273.

Blume L., Durlauf S. (2000). “The Interaction-Based Approach to Socio-economic Behavior”, SSRI Working Paper n. 2001, University of Wisconsin at Madison.

Brock W., Durlauf S. (2000). “Discrete Choice with Social Interactions,” SSRI Working Paper n. 2007, University of Wisconsin at Madison.

Bruni L., Smerilli A. (2004). “I dilemmi dell’individualismo e il paradosso della reciprocità. Ipotesi e giochi”, in Bruni L., Crivelli L. (a cura di). Economia e comunione, Città Nuova, Roma.

Bruni L., Zamagni S. (2009). Dizionario di economia civile, Citt à Nuova, Roma.

Durlauf S. (2001). “A Framework for the Study of Individual Behavior and Social Interaction”, SSRI Working Paper n. 2016R, University of Wisconsin at Madison.

Frey B. (1997). Not Just for the Money: An Economic Theory of Personal Motivation, E. Elgar, Cheltenham.

Gladwell M. (2002). The Tipping Point, Litt le, Brown and Company, New York.

Granovetter M. (1978). “Threshold Models of Collective Behavior,” American Journal of Sociology, 83, pp. 1420-1443.

Hirschman A. (1982[1970]). Exit, Voice and Loyalty: Response to Decline in Firms, Organizations and States, Harvard University Press, Cambridge, MA.

Keley M. (1978). “A Social-Justice Approach to Organizational Evaluation”, Administrative Science Quarterly, 23, pp. 272-292.

Le Grand, J. (2003). Motivation, Agency, and Public Policy. Of Knights & Knaves, Pawns & Queens, Oxford University Press, Oxford.

Mitroff I.I., Denton E.A. (1999). “A Study of Spirituality in the Workplace”, Sloan Management Review, 40(4), pp. 83-92.

Schelling T. (1978). Micromotives and Macrobehavior, Norton, W.W. & Company, Inc. Williamson O. (1995), Organization Theory, Oxford University Press, Oxford.

Artigos mais lidos pelo mesmo(s) autor(es)