Equipoise e incertezas, ou o dilema ético dos ensaios clínicos aleatórios
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Resumo
O ensaio clínico controlado é considerado o melhor desenho para avaliar a eficácia de uma intervenção. A investigação clínica que emprega este desenho se considerou que propõe um dilema ético. Por um lado, cada paciente deveria ter o tratamento que melhor se ajusta a suas necessidades, segundo o acordo entre o juízo do médico e os requerimentos individuais. E por outra parte, o ensaio clínico precisa que o cuidado que cada paciente não seja decidido nem pelo juízo clínico nem pela eleição do indivíduo, senão por uma atribuição aleatória. Esta tensão pode ser descrita, num sentido genérico, como um conflito entre os interesses terapêuticos dos pacientes individuais e o interesse da população total que poderia beneficiar-se dos avanços no conhecimento médico e a investigação. Nesta revisão se mostrará um pouco de a história da ética da investigação desde 1970, e a forma como duas aproximações éticas aparentemente opostas tentaram resolver as preocupações a respeito da diferença entre investigação e terapia. Esta diferença, finalmente, supõe-se que é a pergunta subjacente na investigação clínica terapêutica.
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