Mudando as regras do jogo: reforma eleitoral pós 88
Conteúdo do artigo principal
Resumo
O artigo explora os projetos de reforma política no caso brasileiro sob um aspecto inexplorado: as estratégias de maximização de ganhos eleitorais inerentes às propostas de reforma eleitoral. Para tanto, analisamos as Propostas de Emenda Constitucional (PEC) apresentadas no Congresso Nacional sobre a temática durante 29 anos da democracia brasileira e criamos uma base de dados com 493 observações com 52 variáveis que agrupamos em 5 categorias de análises. A partir da literatura (Benoit, 2007; Boix, 1999; Colomer, 2004, 2005, 2018), pretendemos inferir sobre os desenhos propostos nas PECs avaliando as possíveis perdas e ganhos estratégicos para os partidos. Os resultados apontam que as PECs não parecem guiadas por interesses estratégicos dos partidos, conforme a previsão da literatura. Ao contrário, a pesquisa sugere uma racionalidade normativa (sem maximização de ganhos).
Detalhes do artigo
Referências
Benoit, K. (2007). Electoral Laws as Political Consequences: Explaining the Origins and Change of Electoral Institutions. Annual Review of Political Science, 10, 363-390.
Borges, A. & Turgeon, M. (2017). Presidential Coattails in Coalitional Presidentialism. Party Politics, 1–32.
Boix, C. (1999). Setting the Rules of the Game: The Choice of Electoral Systems in Advanced Democracies. American Political Science Review, 93(3), pp. 609-624.
Carey, J. (2013). Between Science and Engineering: reflections on the APSA presidential task force on Political Science, Electoral Rules, and Democratic Governance. American Political Science Association, 11(3), pp. 807-840.
Colomer, J. (2004). Handbook of Electoral System Choice. Palgrave Macmillan.
Colomer, J. (2005). It’s Parties That Choose Electoral Systems (or, Durverger’s Laws Upside Down). Political Studies, 53, 1-21.
Colomer, J. M. (2018). Party System Effects on Electoral Systems. The Oxford Handbook of Electoral Systems. Oxford Handbooks Online. Disponível em: https://www. oxfordhandbooks.com/view/10.1093/oxfordhb/9780190258658.001.0001/ oxfordhb-9780190258658-e-16, pp 1-19.
Cox, G. (1997). Making votes count: strategic coordination in the world’s electoral systems. Cambridge University Press.
Diniz, S. (nov de 2000). As migrações partidárias e o calendário eleitoral. Revista de Sociologia e Política, 15, 31-47.
Duverger, M. (1951). Les partis politiques (2ª ed.). A. Colin.
Gallaggher, M., & Mitchell, P. (2005). The Politics of Electoral Systems. Oxford University Press.
Ferreira, M. C. (2011). As migrações partidárias e a correlação de forças na Câmara dos Deputados (1995-2006). Revista de Sociologia e Política, 19(38), 205-232.
Katz, R. S. (2005). Why are There so Many (or so few) Electoral Reforms? In Gallagher, M. & Mitchell, P. The Politics of Electoral Systems. Oxford University Press, pp 57- 76.
Kutz, Christopher. (2002). The Collective Work of Citizenship. Legal Theory, 8(4): 471–494.
Melo, C. R. (2004). Retirando as cadeiras do lugar: migração partidária na Câmara dos Deputados (1985-1998). UFMG.
Mozaffar, S. & Schedler, A. (2002). The Comparative Study of Electoral Governance. Introduction. International Political Science Review, 23(1), 5-27.
Nicolau, J. (2008). Cinco opções, uma escolha: o debate sobre a reforma do sistema eleitoral no Brasil. IN: MULHOLLAND, T. & RENNÓ, L. Reforma Política em questão. Brasília: UNB.
Nicolau, J. M. & Schmitt, R. A. (1995). Sistema Eleitoral e Sistema Partidário. Lua Nova, 36, pp.129-147.
Nohlen, D. (1992). Experiências de reforma eleitoral: lições para América Latina. IN: TRINDADE, H.H. Reforma Eleitoral e Representação Política: Brasil anos 90. Porto Alegre: UFRGS.
Norris, P. (2011). Cultural Explanations of Electoral Reform: A Policy Cycle Model. West European Politics. 34 (3):531-550
Rennó, L. (2008). Reformas Políticas no Brasil: realizadas e prováveis. IN: MULHOLLAND, T. & RENNÓ, L. Reforma Política em questão. Brasília: UNB.
Roma, C. (2007). Os efeitos da migração interpartidária na conduta parlamentar. Dados, 50(2), 351-392.
Samuels, D. (2000). The Gubernatorial Coattails Effect: Federalism and Congressional Elections in Brazil. Journal of Politics, 62, 240–253.
Souza, A. & Lamounier, B. (2006). O futuro da democracia: cenários políticos- institucionais até 2022. Estudos Avançados, 20(56), pp. 43-60.
Zucco, C. (2008). The President’s ‘New’ Constituecy: Lula and Programatic vote in Brazil’s 2006 Presidential Elections. Journal of Latin American Studies, 40(1), 29-49.
