Paradoxa ou contradição? A interpretação de Chantal Mouffe ao conceito do político de Carl Schmitt
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Resumo
Nas primeiras décadas do século XXI, a crítica ao liberalismo como ideologia política tem se caraterizado pelo recurso incomum a filósofos contra- evolucionários como Carl Schmitt. As contribuições que o alemão oferece desde o realismo político, parecem oportunas em um tempo em que a crítica ao projeto demo-liberal exige renovadas ferramentas de interpretação, especialmente no concernente à essência dos atos políticos, isto é, a definição de um “conceito do político”. Nos últimos anos, este autor tem servido de base para a construção de uma teoria política alternativa ao liberalismo e ao marxismo, em pensadores como a belga Chantal Mouffe (1999, 2003 & 2007), quem parte de Schmitt e sua distinção amigo-inimigo, para abrir-se passo com inovador olhar republicano sobre o político contemporâneo. Sobre a leitura que esta autora faz de Schmitt repousa o interesse deste artigo, não somente pelo nível de influência que a filósofa tem nos círculos acadêmicos latino-americanos, se não pela distância ideológica que a mesma representa frente ao alemão. O que nos obriga a perguntar- nos: quanto de Schmitt há na proposta de Mouffe?, que pontos de Schmitt não toca Mouffe?, por que não o faz? Neste artigo se faz uma aproximação ao conceito do político de Carl Schmitt desde a crítica à interpretação que, na leitura contemporânea, Chantal Mouffe faz dele.